LENTES NINKKOR: QUAL O SIGNIFICADO DAS SIGLAS NAS OBJETIVAS DA NIKON

November 7, 2017

 

Como este é um assunto nebuloso tanto para fotógrafos amadores e iniciantes quanto para, pasmem, alguns fotógrafos profissionais, antes de buscar as siglas no glossário que está no fim desta publicação, vale a pena dedicar um tempo a leitura total desta publicação. A ideia aqui é, não apenas definir, mas discorrer sobre algumas funcionalidades das objetivas Nikkor e, quem sabe, enriquecer seu conhecimento sobre o assunto.

 

A história das lentes fabricadas para a Nikon começou em 1917 com a fusão de duas empresas, a Iwaki Glass Factory, departamento de ótica da fábrica Tokyo Keiki, e a Fuji Lens Factory, que juntas formaram a Nippon Kogaku K.K. e passaram a fabricar binóculos. Apenas em 1932 que o nome Nikkor apareceu como marca registrada de uma linha de lentes de fotografia, que inicialmente eram fabricadas à mão. Os primeiros modelos fabricados faziam parte de uma linha de lentes extremamente precisas para criação de mapas, que e se chamavam Aero-Nikkor. Inicialmente eram fornecidos apenas para fotografia aérea de uso militar, mas depois foi expandida para uso industrial até que a marca cresceu no Japão como uma grande marca de lentes de alta potência. Após a Segunda Guerra Mundial a Nippon Kogaku começou a fabricar câmeras para consumo e nomeou sua câmera de 35mm como Nikon. Sim, isso mesmo! As lentes Nikkor são mais tradicionais que a própria marca Nikon.

 

Em geral a preocupação mais óbvia na hora de escolher uma nova objetiva é com relação a distância focal e a abertura máxima do diafragma. A partir daí é possível saber como uma objetiva vai se comportar, mas em alguns casos isso não é suficiente. Um exemplo é a 50mm f/1.8, que pode ser encontrada, por exemplo, na versão AF Nikkor 50mm f/1.8D ou na versão AF-S NIKKOR 50mm f/1.8G, sendo que na primeira opção o valor de compra é mais baixo. Se ambas possuem a mesma distância focal e a mesma abertura máxima, então qual a razão para haver esta diferença de preço? Ambas podem ser usadas para fazer imagens iguais, ou seja, com o mesmo ângulo de visão e a mesma profundidade de campo. Por outro lado, existe uma diferença no tipo de foco. As duas funcionam com foco automático, mas a objetiva AF tem a focagem acionada pelo motor da câmera, enquanto que a objetiva AF-S faz a focagem através do motor que já está incorporado na objetiva. A objetiva AF não faz o foco automático nas câmeras profissionais de entrada da Nikon (câmeras da linha D3000 e D5000), pois estas câmeras não possuem o motor de acionamento do foco. Se estivermos com uma câmera sem motor para foco, como por exemplo a Nikon D3300, para não ficar limitado ao foco manual devemos utilizar objetivas AF-S, pois estas são equipadas com o motor de “Onda Silencioso”. No caso de uma câmera mais avançada que já possui o motor de foco, como a Nikon D7200, podemos usar o foco automático em ambos os modelos de objetiva. A única diferença é que o foco AF-S é mais rápido e mais silencioso do que o foco AF.

 

Além de objetivas AF e AF-S, existe uma nova série de objetivas com o sistema AF-P, equipadas com um motor de passo (stepping motor) para uma focagem mais estável e silenciosa do que os sistemas anteriores, sendo indicada principalmente para quem utiliza DSLR para gravação de vídeos. Por exemplo: AF-P DX Nikkor 18-55mm f/3.5-5.6G VR.

 

Ainda falando sobre as objetivas 50mm citadas anteriormente, uma delas tem a sigla D e a outra a sigla G no final do nome. A sigla D significa que a objetiva possui um anel de controle de abertura no tambor, que permite controle de diafragma tanto eletronicamente, em câmeras digitais, quanto mecanicamente, em câmeras analógicas. Em câmeras digitais o diafragma vai funcionar eletronicamente ao girar o anel do diafragma até a chegar na abertura destacada na cor laranja, onde podemos travar o controle mecânico com uma chave disponível no corpo da objetiva. Para utilizar em câmeras analógicas basta destravar esta chave para liberar o uso manual do anel de controle. As objetivas com a sigla G não possuem este anel de controle, então o controle de abertura deve ser feito somente através dos ajustes eletrônicos da câmera. Caso uma objetiva G seja usada numa câmera analógica, como a Nikon FM10, ao encaixar a objetiva na câmera o diafragma ficará totalmente aberto. A câmera poderá ser usada normalmente, porém, com a limitação de não ser possível fechar o diafragma para aumentar a profundidade de campo ou diminuir a luz na fotometria.

 

Voltando a citar a AF-P DX Nikkor 18-55mm f/3.5-5.6G VR, destaco a sigla VR, que significa que este modelo de objetiva é equipado com um sistema que melhora a estabilidade da imagem ao compensar automaticamente micro trepidações ou movimentos involuntários no momento da foto. Esta redução de vibração é muito útil principalmente nas objetivas mais longas, que tem a tendência natural de criar fotos tremidas quando fotografamos sem a utilização de um tripé.

Sobre a sigla DX, significa que esta objetiva foi projetada para câmeras profissionais de entrada, como as linhas D3000, D5000, D7000, D500 e suas respectivas sucessoras. Caso não esteja escrito DX na objetiva, fica implícito que esta objetiva é FX, que são objetivas projetadas para câmeras com sensor fullframe, maiores que o sensor DX e do mesmo tamanho de um negativo 35 mm.

 

Como todas as objetivas Nikkor possuem encaixe de baioneta F, tanto objetivas FX quanto DX podem ser utilizadas em câmeras FX, DX e até mesmo em câmeras analógicas de 35mm. As limitações de uso geralmente serão relacionadas a falta de recursos das câmeras e objetivas mais antigas, por exemplo, uma objetiva AF-P não terá foco automático em uma câmera analógica como a Nikon FM10, pois esta é totalmente analógica e não tem nenhum acionamento de foco disponível na câmera. Pode acontecer o contrário, caso seja utilizada uma objetiva antiga em uma câmera mais moderna, como a objetiva Zoom Nikkor 35-70mm f/3.5-4.8 em uma câmera Nikon D610. Por mais que tenhamos motor de foco no corpo da câmera, não teremos foco automático, pois a objetiva não é nem AF, nem AF-S e nem AF-P. O foco será somente manual através do anel de foco disponível no tambor da objetiva. Neste caso o controle de diafragma também será feito somente com o anel de controle, pois esta objetiva não possui o sistema eletrônico de abertura do tipo D, nem do tipo G.

 

Também é comum encontrarmos algumas objetivas com algum numeral romano, como a AF-S Nikkor 200mm f/2G ED VR II, que tem o numeral romano II. Na descrição da objetiva o numeral romano aparece após a sigla VR, mas no corpo da câmera este numeral romano está após o G. Por causa disso, podemos pensar que o numeral II significa que é uma segunda versão do VR, mas apesar da coincidência desta objetiva possuir uma versão mais nova do VR, o numeral romano II que aparece na descrição e no corpo da objetiva significa que esta é a segunda versão desta objetiva específica, ou seja, é a segunda versão da objetiva AF-S VR Nikkor 200mm f/2G IF-ED. Para saber se uma objetiva possui uma versão mais nova de VR ou não, o ideal é verificar os manuais, panfletos de especificação ou informações sobre a objetiva no site do fabricante.

 

Quando a objetiva possui a sigla ED, significa que ela utiliza cristal de dispersão extrabaixa, que é um vidro ótico desenvolvido para correção de aberrações cromáticas e quase elimina a distorção ótica nas imagens. Algumas objetivas possuem a sigla N marcada no corpo da objetiva ao lado do mostrador de distâncias do foco, como é o caso na AF-S Nikkor 14-24mm f/2.8G ED. Apesar de não vir escrito na descrição, é uma informação importante. A sigla N significa que esta objetiva possui revestimento em nanocristal, que é uma película antirreflexo que elimina reflexos no elemento interno da lente para um amplo alcance de comprimentos de onda, ou seja, torna a emissão de luz mais eficiente.

 

Objetivas como a AF-S DX Zoom-Nikkor 18-70mm f/3.5-4.5G IF-ED possuem a sigla IF, que indica que todo movimento ótico é feito dentro do corpo da lente sem que o seu tamanho seja extensível, diferente das objetivas que não são IF e estendem seu comprimento de acordo com o ponto de focalização.

 

Com relação ao tipo de foco, as objetivas Nikkor com foco automático possuem uma chave de seleção no corpo para que possamos escolher qual opção desejamos utilizar. Os modelos mais simples são equipados com uma chave A-M, onde A é a opção para o modo automático e M para o modo manual. Outros modelos ainda disponibilizam três opções de modo (A/M - M/A - M). No modo A/M (manual de prioridade) a transição é simples do autofoco para o foco manual durante a operação com o AF. Para evitar a troca súbita não-intencional para o modo manual, há uma sensibilidade alterada com tempo suficiente para não fazer uma troca imediata, ao contrário do modo M/A, que permite alternar de automático para manual sem praticamente nenhum tempo de atraso, bastando para isso apenas girar o anel de foco da objetiva. Ainda sobre o sistema de foco, temos a sigla RF usada para destacar que determinada objetiva, como a AF-S NIKKOR 35mm f/1.8G ED, possui um sistema no qual apenas o grupo de lentes traseiro se move durante o foco, permitindo que o foco seja alcançado mais rapidamente e sem alterar o comprimento físico da objetiva durante a focagem.

 

Em objetivas como olho-de-peixe, grande angular, macro e algumas teleobjetivas, que trabalham com uma distância de focagem mínima bem curta, temos o sistema CRC (Close-Range Correction), que fornece qualidade superior de imagens em distâncias focais curtas. A performance de focagem melhora significativamente devido ao movimento independente de cada grupo de lentes ao focalizar entre um foco próximo e outro distante.

 

A sigla E, que normalmente vem logo após a informação de abertura máxima de uma objetiva, como a AF-S NIKKOR 200-500mm f/5.6E ED VR, significa que esta objetiva está equipada com um Mecanismo de Diafragma Eletromagnético, que é um controle altamente preciso do diafragma ao usar a exposição automática durante o disparo contínuo, diferente das lentes tipo D e G, onde as lâminas do diafragma são operadas por alavancas de ligação mecânica. Este mecanismo opera em sincronia com a velocidade do obturador e a velocidade de gravação de quadros mais rápidas.

A objetiva AF-S NIKKOR 300mm f/4E PF ED VR é notavelmente pequena para uma objetiva desta distância focal devido a sua construção com elementos de lente Phase Fresnel (PF). Estes elementos PF compensam a aberração cromática e o efeito fantasma quando combinados com elementos comuns das lentes vidro. Ao utilizar um elemento de lente Phase Fresnel, os engenheiros da Nikon conseguiram diminuir a quantidade de lentes, deixando esta objetiva mais leve e compacta. Este elemento baseado na lente Phase Fresnel, que parece ter uma série de círculos concêntricos gravados sobre ela, utiliza o fenômeno de difração, podendo surgir anéis de cores em algumas condições de disparo, como pode ocorrer quando houver uma forte fonte de luz dentro do quadro ou quando a luz entrar na lente vindo de fora do enquadramento. Esse fenômeno pode ser reduzido com um software chamado Capture NX-D, que está disponível gratuitamente para download no site da própria Nikon, através da opção “PF Flare Control”.

 

A sigla AS, apesar de não vir escrito no corpo da objetiva, como na AF-S DX Zoom-Nikkor 18-55mm f/3.5-5.6G ED II, significa que a objetiva usa elementos asféricos, ou seja, superfícies não esféricas em um ou ambos os lados do cristal, sendo este um recurso útil para eliminar certos tipos de aberrações nas imagens. Esta sigla geralmente aparece somente nas especificações técnicas e no manual da objetiva.

 

Uma nova sigla que merece atenção é a FL, de objetivas como a AF-S NIKKOR 70-200mm f/2.8E FL ED VR. FL significa que esta objetiva possui elementos de lente de fluorita, que é um material ótico leve como um cristal, tem excelentes propriedades óticas e ajudar a reduzir bastante o peso total da objetiva.

 

Esta mesma AF-S NIKKOR 70-200mm f/2.8E FL ED VR possui elementos de alta refração, como pode ser observado nas especificações técnicas através da sigla HRI (high refractive index). Com um índice refrativo de mais de 2.0, uma lente assim pode conseguir efeitos equivalentes aos obtidos com vários elementos de cristal padrão, podendo compensar tanto a curvatura de campo quanto as aberrações esféricas, conseguindo um grande desempenho ótico em um corpo mais compacto.

 

A sigla SIC, que costuma aparecer apenas no manual das objetivas, significa que a objetiva possui revestimento de multicamada dos elementos óticos. Este Revestimento Superintegrado melhora o contraste e permite qualidade de cores superior ao reduzir os fantasmas e a refração na lente.

Para finalizar, vamos falar de objetivas com controle de perspectiva, como a PC-E Nikkor 24mm f/3.5D ED. Neste caso a novidade fica por conta da sigla PC-E, onde PC esclarece que esta objetiva possui controle de perspectiva e a sigla E indica que o diafragma pode ser controlado eletronicamente. Na prática, o sistema PC funciona como uma objetiva tilt-shift, sistema que permite que a objetiva seja movimentada verticalmente e horizontalmente sem a necessidade de mexer na posição da câmera.

 

Segue abaixo um glossário mais objetivo para consulta rápida:

AF – sistema de focagem automática que utiliza o motor de foco do corpo da câmera;

AF-S – sistema de focagem automática incorporado com motor de “Onda Silencioso” para focagem rápida e silenciosa;

AF-P – sistema de focagem automática incorporado com motor de passo (stepping motor) para uma focagem mais estável e silenciosa do que os sistemas anteriores (ideal para vídeos);

DX – objetivas projetadas para o formato de sensor APS-C, menor que o formato fullframe;

FX – objetivas projetadas para o formato de sensor fullframe e câmeras analógicas 35mm;

D – sistema de controle de abertura eletrônico ou analógico (através de anel no tambor da objetiva);

G – sistema de controle de abertura totalmente eletrônico;

II – numeral romano que diz qual é a versão de determinada objetiva;

ED – cristal de dispersão extrabaixa;

N – revestimento em nanocristal;

E – Mecanismo de Diafragma Eletromagnético no corpo da objetiva com controle preciso do diafragma ao usar exposição automática durante o disparo contínuo;

SWM – motor de onda silencioso (Silent Wave Motors) utilizado nas objetivas AF-S;

IF – foco interno limitando o movimento ótico ao interior do tubo da objetiva não extensível;

AS – objetivas com elementos asféricos (superfícies não esféricas em um ou ambos os lados do cristal);

FL – objetivas com elementos de lente de fluorita, com excelentes propriedades óticas e muito leve;

HRI – lente de alto índice de refração que pode conseguir efeitos equivalentes aos obtidos com vários elementos de cristal padrão;

A-M – focagem pode ser alternada entre autofoco e foco manual;

A/M – focagem automática com transição simples do autofoco para o foco manual;

M/A – focagem automática com transição imediata do autofoco para o foco manual;

RF – sistema de foco traseiro que permite alcançar o foco mais rapidamente;

CRC – sistema de correção de curto alcance, com maior qualidade de imagem em distância curta de foco;

SIC – termo da Nikon para o revestimento de multicamada dos elementos óticos nas lentes NIKKOR;

PC – objetiva com controle de perspectiva;

PC-E – objetiva com controle de perspectiva e controle de diafragma eletrônico;

PF – objetiva com elementos de lente Phase Fresnel, que compensam a aberração cromática e o efeito fantasma quando combinados com elementos comuns de lentes de vidro.

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